terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Democratização da Mídia passa pela aprovação da ADO 11 no Supremo

Reproduzo abaixo o post do Blog "Vermelho" 

Desde o dia 13 de dezembro encontra-se protocolada no Supremo Tribunal Federal, aguardando entrar na ordem do dia para julgamento a Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão, a ADO 11, proposta pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Comunicação e Publicidade – CONTCOP.

Por José Reinaldo Carvalho*


Por incrível que pareça, 22 anos depois de promulgada a Constituição vigente, outrora denominada “Constituição cidadã”, dispositivos constitucionais relativos aos meios de comunicação de massa, imprensa, rádio e televisão - ainda não foram regulamentados por lei. 

Em decorrência, impera a lei da selva no setor, inteiramente submetido aos caprichos e ditames de famílias e corporações que, dispondo de infra-estrutura criada pelo Estado, de infinita liberdade e de polpudas verbas provenientes de anúncios, boa parte dos quais de origem governamental, violam o direito fundamental da sociedade à informação. Em lugar desse inalienável direito, usam e abusam do seu próprio, erguendo uma trincheira de luta contra a democracia, para o que se valem da aparatosa usina de mentiras que soergueram e permanece intacta, desde os tempos da ditadura militar.


A ADO 11 tem por foco três questões nodais para a luta pela democratização dos meios de comunicação no país: a garantia do direito de resposta a qualquer pessoa ofendida através dos meios de comunicação; a proibição do monopólio e do oligopólio no setor e o cumprimento, pelas emissoras de Rádio e TV, da obrigação constitucional de dar preferência a programação de conteúdo informativo, educativo e artístico, além de priorizar finalidades culturais nacionais e regionais.

A ADO 11 reveste-se de enorme importância para o país, pois atinge em seu âmago, o monopólio dos meios de comunicação, um dos maiores obstáculos à plena vigência da democracia no país. Colateralmente, atinge um dos principais vícios nacionais, a omissão, no caso do Poder Legislativo, quando se trata de regulamentar os dispositivos constitucionais correspondentes a necessidades estruturais do país e que golpeiam interesses de poderosas corporações. Com a palavra e a ação agora, o Poder Judiciário. 

As propostas constantes da ADO 11 constituem o núcleo do que poderia vir a ser uma Lei dos Meios de Comunicação que efetivamente democratize o setor. Daí sua importância estratégica.

Isto explica o silêncio da mídia sobre a sua tramitação na Corte Suprema. Por isso, está nas mãos do movimento sindical ligado ao setor, aos portais e sites de informação e análise política, aos blogueiros progressistas, aos parlamentares comprometidos com a liberdade de expressão e a democratização efetiva do país, ao conjunto das organizações do movimento social, divulgar notícias sobre a tramitação da ADO 11 no STF, acompanhá-la passo a passo, organizar uma campanha democrática por um julgamento favorável e para que prevaleçam os princípios nela defendidos. 

O Portal Vermelho, que tem como princípio fundador a luta pela democratização dos meios de comunicação e a plena liberdade de expressão, com as quais é incompatível o oligopólio exercido por um punhado de famílias e corporações empresariais, abre seu espaço para a difusão da campanha em favor da ADO 11. 

*Editor do Vermelho 
Disponível em: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=144400&id_secao=6

sábado, 18 de dezembro de 2010

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Um discurso que emocionou o presidente Lula

Reproduzo o vídeo com a fala de Hilda Santos, de Custódia (PE), sobre o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) em Pernambuco, que emocionou o presidente Lula.


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Adriana Ferreira

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Inauguração do Memorial Darcy Ribeiro

Reproduzo abaixo o post do blog "Limpinho e Cheiroso"

Memorial reúne pistas dos muitos caminhos de Darcy Ribeiro

Ao inaugurar na segunda-feira, dia 6, em Brasília (DF), o Memorial Darcy Ribeiro, o presidente Lula afirmou que o antropólogo, professor, político, indigenista, educador, romancista e agitador cultural era “um homem de sete instrumentos e muitas paixões”, que deixou como legado para todos nós o incentivo ao sonho, lembrando que “a política é a arte de realizar sonhos coletivos”. Também participou da cerimônia de inauguração o presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, já que Darcy morou um tempo no Uruguai quando esteve exilado do Brasil por causa ditadura militar.

“Todo grande pensador, quando nos deixa, deixa atrás de si um legado, uma obra, resultado da sua atuação ao longo da vida. O legado de Darcy Ribeiro é muito especial e precisava de uma maneira original e criativa de se incorporar ao nosso presente.”

Darcy Ribeiro, que faleceu em 1997, foi um dos fundadores da Universidade de Brasíliae seu primeiro reitor, de 1960 a 1962. Foi também vice-governador do Rio de Janeiro entre 1983 e 1987 e assessor dos presidentes Juan Velasco Alvarado (Peru) e Salvador Allende (Chile) durante a época em que esteve no exílio, durante a ditadura militar brasileira (1964-1985).

O Memorial Darcy Ribeiro foi construído graças ao convênio firmado entre o Ministério da Cultura e a Fundação Darcy Ribeiro. Foram investidos R$8,5 milhões no espaço, que terá biblioteca, espelho d’água, salas de aula e climatizador natural. Há também espaço para descanso e apresentações – batizado de ‘beijódromo’ pelo próprio antropólogo ao conhecer o projeto.

A biblioteca terá mais de 30 mil livros do professor e sua primeira esposa, a antropóloga Berta Gleizer Ribeiro, além de disponibilizar documentos pessoais, como cartas trocadas com Oscar Niemeyer e o filósofo francês Jean-Paul Sartre. Haverá também exposição de obras de arte brasileiras, que vão desde quadros de Portinari a artefatos indígenas.

“Quando falamos em preservação de um acervo e em disseminação do conhecimento a ele vinculado, não podemos deixar de ressaltar o trabalho da Fundar, Fundação Darcy Ribeiro, sob a presidência de Paulo Ribeiro, na preservação e divulgação do legado de Darcy. A Fundação Darcy Ribeiro prolonga o sonho de Darcy, trazendo mais otimismo ainda ao Brasil de hoje.”

Lula afirmou em seu discurso que Darcy Ribeiro era um homem “em permanente estado de exaltação pelo Brasil”, de tal maneira que por vezes parecia que iria ‘faltar Brasil’ para dar conta de tantos sonhos do antropólogo. “Claro que Brasil não há de faltar nunca. Darcy, sim, faz muita falta”, disse o presidente.

domingo, 5 de dezembro de 2010

"Louve o Príncipe da Paz"

Nestes período de fechamento de notas, pautas e de aplicação de exames, convidamos os leitores a conhecer nosso canal de louvor e adoração no YouTube. Ele se chama "Louve o Príncipe da Paz". 


Este link também estará sempre disponível à direita na seção "nossos links".

Marcelo Cernev

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Os "pobres", os "miseráveis", o "governo" e os "novos problemas sociais": algumas pérolas"

O comentário do jornalista Luiz Carlos Prates da RBS (Globo) continua repercutindo, confira e comente.

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Declarações como estas me lembram antigos personagens como o "Justo Veríssimo", assista o vídeo da MTV:


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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A complexidade do mapa das eleições presidenciais

O mapa "das eleições presidenciais" apresentado pela mídia não foi muito "feliz" pois dá a entender a existência de um Brasil dividido em duas partes aparentemente homogêneas. Teríamos um Brasil "bicolor" Observe, abaixo, como ficam as cores quando consideramos as proporções dos votos em cada estado. A ilustração foi desenvolvida pelo deisgner Bruno O. Barros. Vale a pena conferir:


Disponível em: http://ilustrebob.com.br/2010/11/o-brasil-nao-e-bicolor/


Este mapa ilustra  melhor a complexidade da disputa eleitoral. É necessário ir além de interpretações tendenciosas que distorcem os fatos estimulam preconceitos e posturas anti-democráticas.

Marcelo Cernev

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sala, copa e cozinha

Reproduzo o texto de Michel Blanco sobre as manifestações absurdas ocorridas no Twitter:



Uma jovem estudante de Direito, desalentada com a vitória da petista Dilma Rousseff, ganhou fama ao clamar no Twitter o afogamento de nordestinos em benefício de São Paulo. O ódio da moça brotou em meio a uma campanha difamatória que irrigou expedientes eleitoreiros. Se na TV o marketing cuidou de dar boa aparência aos candidatos, na internet a coisa foi feia. Levante a mão quem não recebeu um único spam desqualificando os votos da população assistida pelo Bolsa Família. Sobre tal corrente, a psicanalista Maria Rita Keh disse o que tinha de ser dito – e foi punida por isso. Assim estávamos na campanha…
A xenofobia da estudante paulista, no entanto, não é retrato das tensões do momento. É uma fotografia embolorada, guardada num fundo de armário, agora trazida à tona. Quem triscou fogo nos spams sabia que o ódio fermentava. Bastava uma faísca. Se tiver estômago, pode ler uma coletânea de tweets odientos — e odiosos — no Diga não à Xenofobia. A menina não está só.
A maioria dessas mensagens parte de jovens de mais ou menos 25 anos. O que leva a supor que muitos deem vazão a preconceitos ruminados à hora do jantar em família, da festinha do sobrinho ou do churrasco da faculdade. Está aí boa parte da festejada geração da internet, que confunde vida real com a vida em rede, mas se sente imune às consequências de atos online. Mostram os dentes no Twitter como se estivessem a salvo da luz do dia, como se não fosse dar nada. Mas deu, mano.
A moça que gostaria de afogar um nordestino em São Paulo acabou ela mesma por submergir. Deletou seu perfil ante a repercussão do caso, que lhe rendeu a protocolação de uma notícia-crime pela OAB de Pernambuco no Ministério Público Federal em São Paulo. O escritório de advocacia onde estagiava apressou-se em dizer que ela não despacha mais por lá. O caso foi parar até nas páginas do britânico Telegraph. Vários outros “bacanas” seguiram os passos da menina e desapareceram do Twitter. Talvez arrependidos do um ato impensado, da ausência completa de reflexão ou, mais provável, da ameaça de punição legal. Quem sabe ainda há tempo para deixar as trevas.
Ironicamente, o aguardado uso da internet nas eleições ajudou a liberar o que há de mais retrógrado entre nós (embora o poder transformador da rede esteja muito além disso). Parecemos recuar 50 anos em relação a direitos civis. Houve até o retorno de mortos-vivos, grupos pouco representativos e de triste memória. Não bastasse o proselitismo religioso, a ação das militâncias, oficiais e oficiosas, a campanha na internet descambou para baixaria geral. Conhecido o resultado da eleição presidencial, viria o pior: o insulto aos eleitores, desclassificando-os.
Enfim, é uma questão de classe; não de compostura. Uma parte dos jovens que se julgam classe A levantou-se da sala de jantar para reinstaurar a separação da copa e da cozinha, sem se dar conta de que a divisão dos cômodos já não é tão sólida. O que move tanto ódio? Passionalidade do clima eleitoral não é o suficiente.
Nunca na história deste país (tá, essa foi só para provocar) se falou tanto em classes C e D e E. Estão todos os dias na imprensa; chamam atenção pelo crescente poder de consumo. E é a isto que a noção de classes parece se resumir hoje: consumo. Talvez esteja aí a raiva dessa moçada, muito mais identificada com bens do que com valores.
Identificar-se por aquilo que se consome pressupõe um sentimento de exclusividade. “Eu tô dentro e eles, fora”. Uma concepção de vida alimentada e também confrontada pela massificação do consumo. A tensão desponta quando “eles”, os esfarrapados, começam a ter o que “eu” tenho. A exclusividade mingua, e o povão chega chegando, sentando ao seu lado no avião. É preciso descolar novos meios para diferenciar uns dos outros. A desqualificação é um deles.
Um dos legados desta eleição embalada por baixarias é uma tensão que parece escapar da acomodação sobre a imagem construída pelo mito fundador nacional. Descobrimos um pensamento ultra-conservador no Brasil, e ele pôs a cabeça para fora. Seria um exagero, no entanto, dizer que o país está dividido. Mas é igualmente um equívoco considerar que a identidade nacional sai ilesa – por definição, ela é lacunar, ao pressupor a relação com o outro. O que queremos de nós mesmos?
Mas na cabeça dessa moçada raivosa, nada disso seria necessário, e a harmonia se restabeleceria desde que todos estivessem nos lugares “certos”. Assim, estão prontos para experimentar o que consideram desenvolvimento e mal esperam a ocasião para pôr à mesa de alguma congregação do Tea Party uma iguaria nacional: uma saborosa broa de milho feita pela mãos da preta dócil que serve a casa.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O derrotado tresloucado


Prezados leitores, transcrevo abaixo a análise do filósofo Paulo Guiraldelli Junior sobre a postura de Serra nas eleições presidenciais de 2010 e sobre seu discurso posterior à derrota nas urnas:


O PSDB se revelou um partido que não sabe vencer, mas, pior ainda, um partido que não sabe perder. Por isso, seu candidato foi José Serra, símbolo dessas duas más qualidades.

Serra perdeu para uma desconhecida na política, Dilma Roussef. Assim ocorreu porque não conseguiu desenvolver uma campanha capaz de mostrar aos pobres que eles não iriam perder o que ganharam no governo Lula. Ele achou que poderia contrabalançar isso com um estranho cacife. Apostou num cacife inexistente, o de ser o paladino da proteção da democracia diante de um governo de esquerda que estaria arquitetando algo contra as instituições republicanas. Serra se viu herói de uma história inventada por uma história com fundo real, mas que se transformou em uma paranóia de seus aliados na imprensa – em especial os jornais O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e Grupo Abril (revista Veja). Ele levou até o fim uma campanha na qual ele queria aparecer como o defensor da liberdade, enquanto que Dilma seria apenas a defensora da igualdade.

Serra não perdeu porque os brasileiros querem antes a igualdade que a liberdade, mas porque o fato dele ser um defensor da liberdade nada era senão uma mentira. Serra bateu em professores grevistas, administrou o funcionalismo público sem ouvir outros e sempre num grupo tecnocrático fechado, não ficou imune a ataques de corrupção, negociou com a imprensa favores para além do que um autêntico republicano poderia fazer e, enfim, não percebeu que, para os pobres, a liberdade aparece quando a igualdade aumenta.

Entender que ele não percebeu tudo isso é fácil. Esse seu não entendimento ficou claro em seu discurso após o anúncio de Dilma como presidente. Seu discurso de derrotado foi esquisito. Ao invés de cumprimentar Dilma e propor um governo de união, como ele vinha fazendo e como é a praxe, ele desafiou a nova governante e mostrou-se ambicioso, querendo disputar uma terceira vez – ignorando que Aécio Neves e o próprio Alckmin vão tomá-lo como aposentado já na segunda feira. Em meio ao seu discurso, apareceu nitidamente sua estranha imagem de si mesmo, a de ser um paladino da democracia. Pois insistiu que faria oposição exatamente nesse quesito, o de proteger as liberdades individuais e liberdade de expressão e coisas afins. Ele realmente acreditou na mentira dos jornalistas de direita que, na imprensa citada, mentem para si mesmos querendo o título de liberais (os Neumanes e Reinaldos de Azevedo da vida). Particularmente, nunca vi um candidato com um traço doentio tão forte, incapaz de perceber sua real dimensão na política.

Todos nós sabemos que há traços autoritários no PT, inclusive meio que ligados a certa imbecilidade dogmática – já escrevi isso aqui com detalhes para além do que muita gente de esquerda ousa dizer. Além disso, nossa percepção de que o próprio Lula prejudicou a vida democrática interna do PT, é uma verdade. Mas, o que Serra não percebeu é que ele não era o tal paladino da liberdade que poderia representar, com legitimidade, aqueles eleitores motivados pelo simples valor da democracia. Isso é que é incrível! Serra realmente acreditou na mentira criada a respeito de si mesmo.

Pensando assim, e analisando o discurso estabanado de Serra ao ser derrotado, não há dúvida que o cheque em branco da população para Lula, votando em Dilma, por incrível que pareça, foi o que se podia fazer de mais ajuizado. E foi feito. Era o que dizíamos, neste blog, que tinha tudo para acontecer. E aconteceu. O Brasil está livre de uma pessoa com visível traço doentio. Deus é brasileiro.


Paulo Ghiraldelli Jr. é filósofo, escritor e professor da UFRRJ


domingo, 31 de outubro de 2010

A verdade venceu a mentira!


Agora é hora de comemorar e trabalhar!

Em tempo: Quer ver o pronunciamento do Serra?
 (31/10/2010 - 22h40)

Não procure na globo!
Afinal ela não admite derrotas.

sábado, 30 de outubro de 2010

A ultima da "campanha"

A nova "tática" da campanha de José Serra: se não dá para ganhar através de propostas e das mentiras, por que não tentar confundir o eleitor incauto?


"Campanha do jenio não tem limite para baixaria" (Paulo Henrique Amorin)

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Fim de temporada da nova minissérie multimídia


A campanha continua. É claro que não estou me referindo à campanha eleitoral. Paralelo à campanha eleitoral continua a campanha da desinformação e da mentira. Como diria Paulo Henrique Amorin, “o PIG é incansável!”

Nos últimos meses as tentativas de manipulação da opinião pública, com fins eleitoreiros estão cada vez mais acentuadas e sistêmicas. Sua desfaçatez já se tornou notória, até mesmo a nível internacional. Recentemente o jornal francês Courrier International publicou uma reportagem sobre como quatro famílias brasileiras estão no controle das principais mídias e como as utilizam para minar a candidatura de Dilma Roussef e o governo Lula, que nunca aceitaram. De quem estão falando? Ora, justamente daqueles meios de comunicação que o sociólogo e jornalista Paulo Henrique Amorin denomina como o “Partido da Imprensa Golpista” (PIG). Olha o PIG aí gente! Já está adquirindo reconhecimento internacional!

Isto, sem mencionar a patética farsa da pseudo “tentativa de agressão” ao candidato à presidência da República José Serra. O suposto incidente tão explorado no JN acabou sendo desmascarado na Internet e se tornou um dos assuntos mais populares no Twitter..

Apesar disto, a "produção jornalística" do PIG continua a todo vapor. Jornalística entre aspas, é claro. Porque não se produz notícias, mas ficções. O que ele está fazendo, ou ao menos tentando, com os seus leitores/telespectadores é a substituição da realidade "factual" por uma "realidade virtual", nos moldes do pensamento de J. Baudrillard, ou seja, na forma de um grande, e forçosamente integrado, simulacro político-eleitoral.

Em outras palavras, substituem-se os fatos por uma visão aparentemente "integrada" que tende a substituir o pensamento, pois já vem "pensada" para o leitor/telespectador. É mais "fácil", é sobretudo "mais rápido" e é claro que, para os menos informados, ela pode até ser convincente.

Tomo a liberdade de levantar uma hipótese: boa parte da população brasileira está “consumindo” um novo tipo de produto multimídia. Não importa o formato (jornal impresso, jornal eletrônico, telejornal), em se tratando do PIG, não há notícias, o que há são tentativas de construção de um “universo ficcional”. Ao invés de notícias temos "capítulos" de uma espécie de minissérie multimídia. Não importa o meio, os conteúdos, são praticamente os mesmos.

É muito interessante! Estamos vivendo no mundo real ou virtual? Suponho que parte da população brasileira também está participando de um novo “reality show”, ainda que não o saiba. Não estão confinados fisicamente como ocorre no “Big Brother”, ou em “A Fazenda”, por exemplo. Mas estão sujeitos ao “confinamento ideológico” produzido midiaticamente pela ficção que insiste em substituir a realidade, com uma grande diferença: quem se submete a este realityshow não recebe prêmio algum, muito pelo contrário! Só corre o risco de perder ainda mais.

Chega de novela! Chega de “Big-Brother” político-eleitoral! Chega de “entretenimento ideológico”! Há muito que precisamos saber, conhecer, analisar e estes elementos não estão "disponíveis" no PIG. Lá é sempre a mesma conversa, ou melhor, é sempre a mesma minissérie.

Atenção! Cenas dos próximos capítulos: certamente até 28.10.2010 haverá novo(s) capítulo(s) bombástico(s), como por exemplo “cenas de violência de militantes do PT em comício do candidato do PSDB” anunciados, preferencialmente no JN, ou outros do gênero, próprio ao jornalismo/tele-dramaturgia do PIG.

Mas tenho uma boa notícia! A minissérie está chegando ao fim. Ainda que a data para o capítulo final, não tenho sido anunciada, ela ocorrerá na noite de 31 de outubro de 2010.

Não vemos a hora de acabar! Porque, afinal de contas, não vale a pena ver de novo!

Marcelo Cernev

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Os "donos do poder" e as mensagens dos “donos do saber”


Aqueles que tem seguido o PlurAll sabem que este blog surgiu como uma reação às inúmeras mensagens caluniosas, preconceituosas, falso moralistas e mentirosas que se utilizam dos expedientes mais absurdos para tentarem manipular a opinião pública nas eleições para a presidência da república.

Como um manifesto de repúdio a estas tentativas publicamos o texto “A importância do esclarecimento”, no qual alertamos para a necessidade de irmos, além das aparências, de avaliarmos os fatos em seus respectivos contextos, principalmente no que diz respeito aos interesses político-econômicos que estão em jogo nestas eleições.

Pois bem, bastou publicar o blog e convidar nossos contatos a conhecê-lo, que em poucos dias, houve uma queda significativa no recebimento de mensagens daquele tipo.

Porém, como ainda tenho recebido algumas mensagens daquele tipo, que considero tentativas de fazer política por meios pré-políticos, creio que talvez seja melhor retomar este assunto.

Para isto vou utilizar como exemplo uma mensagem que recebi, intitulada “Jabor - gostem ou não, o texto é imperdível”. Certamente você também deve ter recebido uma cópia desta mensagem. Não recebeu?

O texto começa com uma avaliação imediata: “Excelente!” (em letras garrafais) seguido de uma foto do pretenso autor.

Em primeiro lugar há que se duvidar sobre a autoria do texto, que supostamente seria “assinado” por Arnaldo Jabor. Esta não seria a primeira vez que certos “textos” como este são divulgados em épocas de eleições e são atribuídos a esta pessoa. Apesar de não concordar com certos posicionamentos seus, creio que em um texto de autoria deste cineasta “global” encontraríamos elementos mais inteligentes, apesar de sua notória ironia.

De qualquer forma, o que há neste texto é um despejo - no sentido liberal do termo - de uma série de impropérios, numa verdadeira verborragia voraz, que não respeita o Brasil, muito menos nós, os brasileiros.

A mensagem é bastante enfática e vai direto ao “assunto”. Dentre outros elementos, o que se destaca são os “adjetivos”. Segundo o texto, brasileiro é: “babaca”, é “vagabundo por excelência”! “Não há democracia no Brasil”, mas sim “anarquia”. Estas e outras “pérolas”.

As principais características do texto, em minha opinião, são a descontextualização dos fatos e as generalizações absurdas, numa clara tentativa de manipulação ideológica. O teor pessimista do texto, assim como a narração trágico-surreal, confere a ele uma aparência de ser portador de uma pseudo visão salvacionista, a do “salve-se quem puder”.

Que pena! Não sobra quase nada do Brasil e dos brasileiros, que não seja objeto das tentativas de pseudo-desconstrução que o texto procura suscitar. Não sobra mesmo! E não era mesmo para sobrar, não é verdade? Haja visto que a intenção é exatamente esta! O texto procura dar a impressão de uma análise acima dos contextos políticos e sociais, como formulação de uma crítica radical.

Se alguém considera este tipo de texto como exemplar de “protesto”, sobre as “contradições da realidade social brasileira”, ledo engano! Esta é apenas a impressão que ele pretende passar.

Por outro lado, apesar de ser um texto horrível, ele também não deixa de ser um texto de protesto. Isto é inegável, trata-se de um protesto daqueles que não conseguem apresentar um projeto melhor para o Brasil. Este é um “protesto” dos que estão acostumados a serem os “donos do poder” e também daqueles que, mesmo não fazendo parte desta pequena elite, pensam como eles.

Contra o que protestam? Contra terem que dividir os rumos da nação com portadores de outros projetos sociais que não os deles. Isto me lembra muito as brincadeiras infantis. Enquanto a criança está ganhando está tudo bem. Basta ela começar a perder que ela “se cansa do jogo”, acha defeito em tudo e quer encerrar a brincadeira.

Se você, assim como eu, teve o “privilégio” de receber a mensagem a que estou me referindo ou mesmo outra semelhante a esta, cuja autoria está vinculada a pessoas influentes na mídia (escritor(a) de tantos livros, colunista de tal jornal etc.) reflita bem sobre o seu conteúdo e faça um exame de consciência. Será que realmente ela se sustenta? Cuidado! Papel, internet, certos canais de TV e certos jornais aceitam tudo. Nós porém, não somos obrigados a aceitar certos raciocínios tendenciosos. Se tiver dúvida quanto ao conteúdo das mensagens que recebe, proponho um exercício: procure identificar qual é o projeto de Brasil ao qual a mensagem se vincula.

Como já disse anteriormente, o momento que vivemos, de eleições presidenciais, é bastante propício à discussão do Brasil que podemos e precisamos construir. Porém, para uma das partes em disputa não há o que discutir. Como bem pontuou a análise da filósofa e professora Marilena Chauí, o candidato José Serra não quer discutir propostas. E neste sentido as mídias, sobretudo, a internet tem procurado explorar a desinformação como arma ideológica na disputa eleitoral.

No momento há duas opções para o Brasil, que o PSDB não quer dar a conhecer, e faz de tudo para tentar ocultar:

A primeira opção é dar continuidade a um projeto que o presidente Lula já demonstrou ser possível, o de promover o crescimento econômico, o fortalecimento das empresas públicas, a geração de empregos, a distribuição de renda, o combater à fome. Isto, vale lembrar, sem trazer qualquer risco às instituições democráticas.

A segunda opção é retomar o projeto neoliberal de desmonte do Estado, de espoliação do patrimônio público, da flexibilização dos direitos trabalhistas, das negociatas com grupos de interesses contrários aos interesses da nação.

Infelizmente o projeto de José Serra é velado. Ele nunca vem à tona. As discussões ficam naqueles lemas vazios e hipócritas tais como: “Vamos fazer uma administração” “acima dos partidos”, “Harmonia”, … “coração leve”... “Serra é o candidato do bem”. Mas, por que ele não expõe seu projeto?

Porque em um país, cuja maioria da população reconhece e aprova, o governo de um presidente que ousou olhar para a classe trabalhadora e governar além dos interesses de uma elite econômica, a pauta neoliberal do PSDB não teria a menor chance de ser vitoriosa nas eleições. Então, o que se pode fazer?

Ora, restou o “vale-tudo” este que temos presenciado, e que além das velhas práticas de manipulação ideológica, (mentiras, calúnias, difamação), tão comuns nas últimas eleições presidenciais, também agregou táticas nefastas nesta eleição. Ele chegou ao cúmulo de tentar utilizar temas do universo moral e religioso para obter vantagens eleitorais. Isto é muito sério! É neste contexto que devemos analisar criticamente as “mensagens” que estão sendo veiculadas por aqueles que tentam se colocar como os “donos do saber”.

Prof. Marcelo Cernev

domingo, 17 de outubro de 2010

EXTRA! Certamente você não verá estas notícias na Globo e em outros meios de comunicação que fazem parte do PIG:


Reproduzimos, abaixo, algumas matérias sobre o que está acontecendo neste final de semana: os eleitores precisam saber
Portal Terra 16/10/2010:

SP: um milhão de panfletos anti-Dilma são encontrados  em gráfica



VAGNER MAGALHÃES


Direto de São Paulo
Membros do PT paulista encontraram, na tarde deste sábado (16), em uma gráfica do bairro do Cambuci, região central de São Paulo, cerca de 1 milhão de folhetos impressos contra o PT, creditados à Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
A carta, intitulada "Apelo a todos os brasileiros e brasileiras", pede que nas próximas eleições os eleitores deem seus votos somente a candidatos ou candidatas de partidos contrários à descriminalização do aborto. A carta lembra que o PT manifestou apoio incondicional ao terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos, assinado pelo atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e pela então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, no qual se reafirmou a descriminalização do aborto. Esse material seria distribuído neste domingo em igrejas dos bairros do Paraíso e da Barra Funda, em São Paulo, e na cidade de Guarulhos.
O pai do dono da gráfica, Paulo Ogawa, que estava no local, afirmou que os panfletos foram solicitados pela Mitra Diocesana de Guarulhos.
Os mesmos panfletos já haviam circulado entre fiéis no primeiro turno das eleições. No feriado do último dia 12, eles ainda foram distribuídos em Aparecida (SP) e Contagem (MG).
Portal Terra 17/10/2010:
Polícia Federal apreende panfletos anti-Dilma em gráfica de SP 




A apreensão, que contou com dois caminhões, foi realizada de portas fechadas
Foto: Vagner Magalhães/Terra
VAGNER MAGALHÃES


Direto de São Paulo
A Polícia Federal iniciou, na manhã deste domingo (17), a apreensão dos panfletos anti-Dilma encontrados ontem em uma gráfica no bairro de Cambuci, região central de São Paulo. Os folhetos atacam o PT e estão creditados à Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Dois caminhões chegaram até o local para apreender o material. A polícia não permitiu, no entanto, que fossem feitas imagens dos veículos sendo carregados. Foi preciso que cada caminhão entrasse na gráfica de uma vez, já que a garagem era estreita e a apreensão foi realizada de portas fechadas, sob guarda de três viaturas da Polícia Militar.
O advogado da campanha de Dilma Rousseff (PT), Pierpaolo Bottini, argumentou, no pedido de liminar, encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral, que os panfletos são propaganda irregular e solicitou uma apuração criminal por difamação, além de uma investigação da origem do recurso financeiro para impressão dos folhetos.
A liminar foi concedida ontem à noite, no entanto, como não é permitida a apreensão durante a madrugada, a PF só pôde dar início à tarefa às 6h de hoje. Cerca de 30 militantes do partido fizeram uma campana e passaram a noite em frente a gráfica, para garantir que os panfletos não fossem retirados de lá pelos donos do estabelecimento.
Paulo Ogawa, dono da gráfica, afirmou que lá dentro havia cerca de 1 milhão de panfletos. Ele revelou que o pedido foi de 2 milhões e 100 mil, sendo que 1 milhão foram distribuídos no primeiro turno das eleições.
Entenda o caso
A carta, intitulada "Apelo a todos os brasileiros e brasileiras", pede que nas próximas eleições os eleitores deem seus votos somente a candidatos ou candidatas de partidos contrários à descriminalização do aborto. A carta lembra que o PT manifestou apoio incondicional ao terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos, assinado pelo atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e pela então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, no qual se reafirmou a descriminalização do aborto. Esse material seria distribuído neste domingo em igrejas dos bairros do Paraíso e da Barra Funda, em São Paulo, e na cidade de Guarulhos.

O pai do dono da gráfica, Paulo Ogawa, afirmou que os folhetos foram solicitados pela Mitra Diocesana de Guarulhos.
Os mesmos panfletos já haviam circulado entre fiéis no primeiro turno das eleições. No feriado do último dia 12, eles ainda foram distribuídos em Aparecida (SP) e Contagem (MG).

Fonte: http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/0,,OI4739292-EI15315,00-Policia+Federal+apreende+panfletos+antiDilma+em+grafica+de+SP.html

Veja abaixo a carta aberta à CNBB transcrita do blog do Azenha (Vi o mundo):

Carta Aberta à CNBB.
São Paulo 17 de outubro de 2010.
Como membro da CJP-SP fui chamado pelo Deputado Estadual Adriano Diogo a registrar o flagrante de crime eleitoral na Editora Gráfica Pana LTDA, que foi contratada pelo Bispo Diocesano de Guarulhos para reproduzir 2,1 milhões de panfletos falsos da CNBB e estava para distribuir, ontem, pelo país 1,1 milhão de cópias do material e fiz estes registros, por ter ciência da orientação de nossa Comissão Brasileira de Justiça e Paz a partir do documento que li, recebido dias atrás sobre a falsificação de panfleto em nome da CNBB.
A encomenda foi realizada a pedido Mitra Diocesana de Guarulhos conforme imagens abaixo, a saber: email de encomenda, cópia do boleto bancário e carta de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini ao Pe. Jean Rogers Rodrigo de Souza, solicitando distribuição, que encaminho também anexo para divulgação, uma vez que constituem a documentação probatória da encomenda e do crime eleitoral praticado.
A gráfica iria entregar 2,1 milhões de panfletos, cuja informação fornecida pelo gerente da empresa pego em flagrante, pode variar em sua tiragem de 20 a 50 milhões. Foram apreendidos somente 1 milhão dos panfletos falsos, cuja liminar de apreensão já foi expedida pelo juiz responsável. Isso significa que muitos panfletos podem ter sido feitos em outras gráficas e continuarão a ser distribuído pelo país, caso não haja uma ação efetiva da CNBB.
Penso que nossos Bispos devam considerar, dada a gravidade dos fatos, encaminhar a Nota de Esclarecimento elabora no encontro de Itaici, para ser lida em todas as paróquias, em todas as missas do próximo domingo, sua publicação no Jornal O São Paulo e demais revistas e jornais católicos, bem como a leitura nas Tvs e rádios da igreja, buscando por fim ao assunto.
Recomendo esta atitude para nossos pastores reunidos em Itaici, entendendo ser este um gesto que favorecerá a distensão dos mal-entendidos provocados, visando o amplo esclarecimento dos fiéis que receberam tal documento apócrifo e criminoso, sobre a real posição de nossos bispos do Regional 1 e da CNBB, contribuindo desta forma para serenarmos os conflitos gerados entre os católicos, reafirmando a integridade da CNBB e reforçando a cidadania, a democracia e a livre escolha de todos os brasileiros, tão atingidas com esta manifestação difamatória, que desvirtua o foco do debate que interessa à nação e o sentido das eleições de 2010.
A cizânia que a calúnia, as ofensas e as mentiras imputadas geram entre aos cristãos, por ações como está promovida pelo Bispo Diocesano de Guarulhos, estão explicitadas de forma dramática nos fatos que ocorreram hoje em Canindé, no Ceará, onde a missa acabou em TUMULTO, uma vez que o padre corretamente,  informou aos presentes que o documento que estava sendo distribuído na missa era falso e acabou sendo atacado por um político, durante a celebração. Pergunto aos nossos Bispos da CNBB; quando na igreja uma missa tão tradicional como a de Canindé, acabou desta maneira?  Os fatos demonstram a gravidade do momento e a tentativa de aparelhamento do sentimento religioso em nosso país, conforme nota publicada pla CNBB.
Faz-nos refletir a justeza das palavras da candidata Dilma Rousseff, divulgadas na imprensa recentemente, sobre a campanha de ódio que estas ações subterrâneas estão gerando nos corações e mentes dos brasileiros por todo nosso país. Isso pode ficar mais grave ainda, se não for feita uma ampla campanha de esclarecimento junto aos fiéis. A CNBB e o país tem muito a perder com isso. É preciso por um basta a esta campanha baseada na mentira, na calúnia, na difamação!
Só a Verdade nos libertará.
Atenciosamente:
Marcelo Zelic
Vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais-SP e membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo
Coordenador do Projeto Armazém Memória